sexta-feira, 23 de março de 2007

A Fábrica de verdades e o tiro no pé!!

Mais uma vez fomos surpreendidos pelos jornais brasileiros que deram o destaque negativo sobre o novo documento do Papa Bento XVI na última semana: "Sacramentum Caritatis" (O Sacramento do amor). O Jornal Nacional tirou o foco real do citado documento enfatizando de maneira arbitrária um "gancho" sensacionalista: A negação da comunhão para casais em segunda união, o papel da mulher como mãe e esposa, refirmação do celibato do clero, o Fantástico foi na mesma linha e os comentários da Band news pelo rádio foram austeros e recheados da - como se costuma dizer - "boa e velha ironia" em relação ao Papa, a Igreja e os seus ensinamentos. A mídia brasieleira se colocou como defensora da liberdade e do direito do ser humano mas acima de tudo, esses veículos de comunicação demonstraram a sua total superficialidade e falta de conhecimento no assunto real proposto.

Infelizmente, como vem acontecendo no mundo atual e também no Brasil, as pessoas não vão a fundo nas questões e contentam-se apenas com um compreensão reduzida da realidade dando margens a uma compreensão errônea dos fatos. O documento que os jornais fazem referência é uma Exortação pós-sinodal sobre a Eucaristia e não sobre o segundo casamento. A abrangência dos temas relacionados à Eucaristia partem de uma profunda reflexão sobre a Eucaristia( Teológico-sacramental), cerca de 70% do documento, e por fim, destaca alguns aspectos pastorais sobre diversos temas, e apenas uma pequena parte é reservada á relação entre Casais em segunda união com a comunhão eucarística.

Os Católicos devem acolher o que a Igreja ensina pela fé e também de maneira crítica, isso é, fazendo uso da razão pois ela mesma assim o ensina. O que não podemos fazer é acolher tudo que a mídia muitas vezes apresenta, de maneira superficial e fragmentada. Não quero generalizar, pois reconheço a existência de um jornalismo sério e comprometido com a verdade.

Tirar um texto do seu contexto é uma violência textual, é um abuso, compromete a compreensão, ou pior, pode induzir a uma compreensão ideológicamente comprometida produzindo uma visão alienada do real - todo jornalista deveria saber disso. Não ter isso claro quando abordar um escrito de alguém é uma irresponsabilidade gigantesca, tendo em vista que a mídia é uma formadora de opinião e tem a obrigação moral com a verdade.

As pessoas inteligentes e sérias tem o dever de verificar as informações antes de fazer um juízo sobre elas. Lembremos à mídia que não somos uma página em branco na qual ela pode escrever o que bem quiser e entender.

Já ia esquecendo, sobre o gancho da "praga social", o Jornal Nacional esclareceu ontem, o pequeno "errinho" - permitam-me o pleonasmo só para ser enfático - sobre a tradução da palavra "praga". Não seria um "King kong", daqueles pra Hollywood nenhum botar defeito, se realmente ficasse claro que tinha de fato ocorrido um engano, pois raciocinar e aprender é uma virtude, mas o despreparo da mídia brasileira em falar de determinados temas ficou transparente como água! Negligência com o contexto, tendenciosos nas afirmações, e por que não dizer infelizes nas convicções propostas. A fabrica de verdades, por negligência e descuido, deu um tiro no pé!

Infelizmente a errata não foi apresentada com a mesma ênfase com que foi professada como verdade alguns dias atrás. Deixo para maior esclarecimento o comentário, muito sóbrio, do bispo de Florianópolis: Muitos fixaram sua atenção na palavra “praga” (no texto original latino: plaga, traduzida por alguns como “chaga”) e a atribuíram aos que se decidem pelas segundas núpcias. Tivessem lido o texto atentamente, perceberiam que “praga”, segundo Bento XVI, é a mentalidade que invade o mundo, fruto de uma concepção materialista, epicurista e atéia da vida, segundo a qual o casamento não passaria de uma realidade descartável na vida humana. Essa mentalidade está de tal forma enraizada em certos ambientes sociais que, para alguns cristãos, não valeria a pena continuar a combatê-la, não valeria a pena trabalhar para difundir um hábito social capaz de criar uma legislação civil favorável à indissolubilidade (cf. João Paulo II, 28.01.02).

Koinonia Pneumátos
Danillo Holzmann

Um comentário:

Marcos Santos disse...

O problema do divórcio é bastante grave para essa geração, porque com o advento de nova mentalidade entre as mulheres, que perceberam que não precisam se sujeitar aos homens, as relações precisam ser revistas e os papéis muitas vezes reaprendidos. Se por um lado temos mulheres que não admitem mais a traição conjugal (furtiva ou consolidada), por outro temos a mentalidade masculina ainda "predadora" e ignorante dos benefícios da fidelidade conjugal. Não posso mais praticar com meu casamento o que meu pai me ensinou e me testemunhou. Esse reaprender pode lever uma ou mais gerações! Quanto a nós, estamos pagando o preço da transição-Preço caro e desestruturante para muitas famílias! Apesar do documento não tratar especificamente de matrimônio, esse é um tema que toca as nossas vidas de forma intensa e definitiva!
Grande abraço!