domingo, 27 de abril de 2008

O AMOR É UMA SURPRESA!


Acho engraçado o jeito como escolhemos as palavras para iniciar um diálogo com alguém, Acentuamos nossas qualidades, atenuamos nossas misérias, vamos nos mostrando aos poucos, um passo de cada vez. Processo natural de tudo que é grandioso na vida: precisa ser olhado sem pressa. Com o cuidado de quem contempla um dom. E aí, escolhemos o melhor que temos para oferecer ao outro.
Essa semana fiz alguns contatos novos na internet e percebi o quanto eu ficava preocupado em escolher bem as palavras, para não ter ambigüidades em relação ao que eu queria dizer, não quis deixar a oportunidade de verdadeiramente encurtar as distâncias, derrubar muros e construir pontes... creio que um “bon vivant” é medido pelos muros que derrubou e pelas pontes que construiu.
Nossas relações, as pontes que construímos, gozam de uma grande responsabilidade em nossa vida: Elas são peças importantes, e é sobre este lugar que construímos o que somos.
Ter a capacidade de fazer a experiência do “re-começo”pode ajudar-nos a nutrir essas relações.
Gosto de pensar o “re-começo” como a evocação de um dado tempo na vida em que escolhemos o melhor de nós para doar ao outro. Toda experiência de “re-começo” que fazemos na vida é um jeito de voltar à origem do movimento em direção ao outro.
Tive uma semana difícil, perturbada, marcada por desencontros e solidões, dificuldades e dissabores... semana pesada! Como quem sente nas mãos o peso das próprias escolhas. Não existem escolhas sem perdas e ganhos. Todas elas, carregam dentro de si esses dois contrários irreconciliáveis: uma criatividade que a vida encontra para fazer um caminho ser único e irrepetível.
Dentro das fontes do “re-começo” estão guardadas verdades que podem ter perdido o valor dentro de nós, e que apenas esse movimento, pode nos livrar do velho: a descoberta do novo no óbvio. O “re-começo” é necessário, sobretudo em nossas relações, porque garante a capacidade de surpresa, e tudo aquilo que não é capaz de nos surpreender, perde o valor para nós. Para entendermos bem o que significa essa surpresa é necessário uma disposição interior para acolher o mistério do outro.
Triste é ver amores que não surpreendem mais. Mas não aquela surpresa que quer o novo pelo novo. Uma busca ávida por um estado de “adrenalina”. Como se viver fosse praticar esportes radicais ou como se a vida funcionasse dentro dessa mesma lógica: É preciso ter emoção! Não é preciso haver amor pra ser ter “emoções fortes”. Creio que resumir o amor a um eterno estado de paixão só nos ajuda a ficar cada vez mais presos a um estado imaginativo: Encontramos com o outro de maneira “artística”, ou seja, na perspectiva daquilo que eu projeto ou imagino: Não nos iludamos... Isso não é encontro. Por outro lado essa etapa é importante, pois, talvez não suportaríamos encontrar de verdade o outro se este, antes, não despertasse em nós um encantamento, não nos atraísse para uma comunhão. Seríamos vítima do olhar apressado.

O amor é tempestivo, quer despertar cada coisa ao seu tempo segundo a intimidade que é alimentada e proporcionada, pois, tem como finalidade acolher a totalidade do outro. O “re-começo” entra aí, não como uma volta a um tempo de paixão que não existe mais, mas como uma espaço para o cultivo que nasce de uma certeza: Todo ser humano é único e irrepetível, assim como é singular o seu caminho, e por isso mesmo é um mistério que nunca pode ser esgotado. Portanto, é sempre capaz de nos surpreender, assim, como tudo que é verdadeiramente bom e grandioso na vida. Amar alguém é um empreendimento de uma vida inteira. É um dom maravilhoso que se desdobra numa tarefa: através do cultivo e do “re-começo” alimentar e nutrir o caminho da intimidade.



7 comentários:

Unknown disse...

O amor é sempre uma surpresa mesmo meu amigo!!! Como ele é um bem maior e sem ele é q o mau se manifesta, quiçá as surpresas podem ser boas!!! Lendo e refletindo tudo, ponto-a-ponto, dá pra se colocar dentro do texto, como quem assiste a um bom filme ou lê um bom livro, percorrendo os caminhos da intimidade com cada parágrafo, para que, aplicados à vida, obtenha-se o sabor de um viver e fazer viver melhor e mais intenso. Em um país onde é normal assistir-se um telejornal noticiando guerras, fome, miséria...morte de criancinhas e dps ouvir-se um sonoro "boa noite!" há quem se ocupe de espaços de meios de comunicação, como vc, para divulgar o bem maior para a humanidade. Bravo!!! Espero q vc ocupe espaços cada vez maiores na mídia, na vida e no coração das pessoas, valendo-se de toda a sua sapiência, para ser um simples "tijolinho" na construção daquele Reino q tanto esperamos. Bjs.

Poetas divinos disse...

Os textos estão primorosos, saborosos - como uma fruta no abismo - se não agarramos, deixamos o melhor passar.
Gostei do "re-começo" como e-vocação, creio que ainda estou no começo do que ainda não começou e daquilo que não passa - porque ainda não passou, a vida. Destarte, a vocação eu tenho a certeza, de que um convite gentil - me lança não para o abismo, mas para a graça - Deus é como se fosse essa fruta no abismo, se deixamos cair...

Unknown disse...

Me entristeço quando vejo alguém dizer: "agente não escolhe a quem ama!" quanta bobagem... escolhemos sim a quem amar. Uma escolha que vem da convivência, da "intimidade" e do "querer" depois de todo "encantamento" inicial de sentimentos frágeis e imaturos... Então percebemos quem "desperta em nós o encantamento que nos atrai à comunhão".

Abraço, cara,
obrigado pela partilha das reflexões do dia-a-dia.

Bellinha disse...

É impressionante quando vejo algo que fala de amor, mas amor sincero que todos buscamos, mexe comigo e sempre me comove à alegria e esperança :) Foi assim que me senti ao ler seu texto. E concordo com o que escreveram, "Escolhemos a quem amamos" e essa escolha está baseada em nós mesmos no que somos e queremos, essa escolha deve ser boa a ponto de fazer surgir uma terceira pessoa que é nós, deixamos de ser eu e vc e somos nós. Nessa escolha devemos cultivar e recomeçar sempre no amor, pois o amor é humilde, é Verdade. POr isso que Ele basta. O que todos nós desejamos é viver a verdade, que é humilde por ser simplesmente o que é. Obrigada por suas palavras inspiradas,que nos ajudam a sermos melhores. É muito bom amar, recomeçar e ser humilde nesse amor. Isso nos leva a sermos livres! DEus te abençõe Nillo :)

Aline Alencar disse...

Nossa, eu até desisto quando se fala de AMOR. Porque são tantos os livros,músicas, experiencias, exemplos e novelas que nos impulsionam a um amor irreal ou efemero, sei lá, mas que é gostoso sentir tudo isso mesmo que doa depois.Afinal a sociedade atual prega um amor que foi banalizado totalmente e estamos acostumados a achar tudo pronto, a idealizar coisas certinhas sem erros.Por iso que para muitos é dificil compreender que o AMOR é escolha, doação de uma vida, ama-se incondicionalmente.Até descontruir esses conceitos do que venha a ser, ou do que é o amor é cansativo, trabalho árduo!!

vivian oliveira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivian Oliveira disse...

“Amar alguém é um empreendimento de uma vida inteira".
Quantos de nós estamos dispostos a construir verdadeiramente um relacionamento de amor-doação? Um amor desinteressado, capaz de doar-se por primeiro, um amor capaz de buscar primeiramente o bem do outro, de surpreender, de durar no tempo?
“Entristeço-me muitas vezes, pois tenho percebido cada vez mais nas relações, uma postura egoísta, um voltar-se para o próprio umbigo”.
Hoje buscamos as coisas de maneira muito fácil e rápida, sem o menor esforço, e o que é pior, é que sempre voltados para nós mesmos. Acabamos por viver relacionamentos frágeis e superficiais, que, como você meu amigo, mesmo diz "nos roubam de nós mesmos". Tira-nos a dignidade, o nosso valor. Desvia-nos do nosso destino, daquilo que realmente somos chamados a ser.
Amar não é somente um sentimento, mas um ato de vontade, uma decisão que tomamos todos os dias pela vida inteira, de acolher o outro tal como ele é, e apesar de.
“O amor é sempre o desejo que aquilo que amamos viva, dure, prospere no tempo, para sempre".
Bom! É isso... rs.
bjinhos!